L.D.
Ele caiu de suas mãos
Escorrendo e deixando seu fio branco pelo chão vermelho da cozinha da pequena casa
Ela durante muito tempo não prestava atenção como carregava a jarra
Nem sequer prestava atenção ao copo.
Pelo ritmo automatizado de como carregava e despejava
Carregava e despejada
Carregava e despejava.
Pela pressa como engolia
Pela pressa como despejava o líquido na caneca de alumínio.
Quantas vezes não esqueceu a caneca no fogo e deixou o líquido, escorrer, as vezes secar e apagar o fogo.
Quantas vezes lembrou-se, apenas, quando sentia o cheiro de queimado.
Quantas vezes lembrou-se, apenas, quando sentia o cheiro de gás.
E agora ela está paralisada
Jarra na mão
Copo quebrado no chão
Leite espalhado no vermelhão
Ela não esboça nada
Nem um choro
Nem um grito
Ela esta parada olhando para o rio de leite.
No eterno momento presente onde o rio se transforma em pequenas ilhas de leite aos seus pés, Ela ja prometeu que não vai chorar, mas sente que algum momento terá que descobrir o que fazer.
(Felipe G M)